8 semanas, 1 entrega: dentro dos squads de estagiários que resolvem problemas reais na Samsung
Photo: Michael Watson, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Se você imagina estágio como aquilo de 'passar café e organizar planilha', o modelo de squads da Samsung vai te fazer repensar essa ideia. Por aqui, estagiários são colocados em times enxutos — geralmente de 4 a 6 pessoas — com uma missão clara: resolver um problema real da operação em cerca de oito semanas. Sem maquete, sem projeto de gaveta. Código, processo ou análise que precise funcionar de verdade.
Como um squad nasce
Tudo começa com o briefing. Áreas de negócio — do e-commerce à manufatura em Campinas — mandam demandas que caberiam num estágio, mas que ninguém teve tempo de tocar. O time de desenvolvimento de talentos seleciona as mais viáveis, monta os squads misturando perfis (dev, dados, negócios, design) e apresenta o desafio na primeira semana.
'No meu squad, a demanda era reduzir o tempo de triagem de chamados internos. Achamos que era simples. Não era', lembra um ex-estagiário de São José dos Campos. 'Na primeira semana a gente descobriu que o problema não era o sistema, era o processo inteiro por trás dele.'
A dinâmica das sprints
O ciclo segue a lógica ágil que você vai encontrar em qualquer time de tecnologia: sprints de uma ou duas semanas, dailies curtas (mesmo que algumas sejam assíncronas no chat), e revisões a cada entrega. Um squad típico de 8 semanas costuma se organizar assim:
- Semanas 1 e 2: imersão no problema, entrevistas com quem vive a dor no dia a dia e definição do escopo mínimo;
- Semanas 3 a 6: construção da solução, com checkpoints semanais e espaço para pivotar quando a hipótese não se sustenta;
- Semanas 7 e 8: testes, ajustes e a apresentação final para gestores e mentores.
O detalhe que muda tudo: o escopo mínimo. Quem já passou por isso diz que o maior erro é querer resolver tudo. 'Nosso squad entregou um protótipo funcional, não um produto pronto. E foi suficiente porque a gente provou o conceito com dados reais', conta outra participante.
O papel dos mentores (e como usá-los bem)
Cada squad tem um mentor — às vezes dois: um técnico e um de negócio. Eles não fazem o trabalho por você, mas abrem portas que um estagiário sozinho levaria semanas para encontrar. Precisa de acesso a uma base de dados? O mentor sabe com quem falar. Está travado numa decisão de arquitetura? Ele já viu esse filme.
A dica de quem passou pelo programa: não trate o mentor como professor. Traga perguntas com contexto e possíveis caminhos, não apenas 'não sei o que fazer'. E convide o mentor para as cerimônias do squad — a presença dele nas reviews muda o nível do feedback.
E depois que o estágio acaba?
Essa é a parte que pouca gente pergunta — e deveria. Nem todo projeto vira produto, mas boa parte continua de alguma forma: o protótipo é herdado por outro time, a análise alimenta uma decisão, ou o processo redesenhado é adotado pela área. Em alguns casos, o próprio estagiário é efetivado e assume a continuidade da solução que ajudou a criar.
Mesmo quando o projeto não segue em frente, o portfólio fica. 'Na entrevista de efetivação, eu não falei de matérias da faculdade. Falei do squad: o que entregamos, onde erramos, como nos adaptamos', resume um ex-estagiário contratado.
Como se destacar na entrega coletiva
Vai entrar num squad em breve? Quem já viveu isso deixa quatro conselhos práticos:
- Seja dono de algo. Em time pequeno, 'ajudar em tudo' vira 'não ser responsável por nada'. Assuma um módulo ou uma frente e tire a carta de baixo.
- Documente enquanto faz. A apresentação final fica muito mais forte — e mais fácil — quando o histórico de decisões está registrado.
- Fale com quem sofre o problema. Os melhores insights dos squads vieram de conversas com quem usa o processo no chão de fábrica ou no atendimento, não de relatórios.
- Cuidado com o ego. Squad é coletivo. Recrutadores e gestores observam quem eleva o time, não quem tenta brilhar sozinho.
Vale a pena se dedicar?
Oito semanas parecem pouco — e são mesmo. Mas é o período mais denso do estágio: você aprende a trabalhar em ritmo de mercado, a negociar escopo, a apresentar para gente importante e a lidar com prazo que não se estica. É, na prática, um estágio dentro do estágio.
Se a sua meta é efetivação, o squad é o seu vitrine. Escolha o desafio com atenção, jogue o jogo em equipe e trate a apresentação final como se fosse uma demo para o mundo — porque, para a sua carreira, praticamente é.