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Antes e depois: recrutadores da Samsung dissecam 6 currículos de candidatos a estágio

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Antes e depois: recrutadores da Samsung dissecam 6 currículos de candidatos a estágio

Photo: Springfield High School (Springfield, Mo.), No restrictions, via Wikimedia Commons

Seu currículo tem cerca de 40 segundos de vida. É mais ou menos o tempo que um recrutador da Samsung gasta na primeira triagem antes de decidir se você segue no processo seletivo ou cai fora da lista. Pensando nisso, reunimos seis currículos de estudantes brasileiros que se candidataram a vagas de estágio — engenharia, TI e negócios — e colocamos na mesa com quem decide: engenheiros de recrutamento que participam da triagem dos programas da empresa.

O que veio dali foi um banho de realidade. Segue o antes e depois de cada caso (nomes fictícios, problemas reais).

Caso 1: o currículo-biografia da Ana, engenharia elétrica

O problema: Ana usou o espaço para se descrever: "jovem dedicada, comunicativa, apaixonada por tecnologia". Nenhum dado, nenhum projeto, nenhuma prova.

O veredito do recrutador: "Adjetivo não sustenta triagem. Eu preciso de evidência."

O ajuste: trocar a autodescrição por uma linha de destaque com números: "Projetos com microcontroladores ARM em disciplina de sistemas embarcados; monitoria de Circuitos Elétricos por 2 semestres". Fatos, não adjetivos.

Caso 2: o PDF de dez páginas do Bruno, ciência da computação

O problema: Bruno listou tudo — trabalhos de faculdade, certificados de plataforma online, até o projeto do Ensino Médio.

O veredito: "Mais de duas páginas para estágio é sinal de que a pessoa não sabe priorizar."

O ajuste: uma página. Três projetos mais relevantes, cada um com o que foi feito, a stack usada e o resultado. O resto, um link para o GitHub resolve.

Caso 3: o e-mail pessoal da Carla, administração

O problema: Carla tinha ótimo conteúdo, mas usava um e-mail com apelido, foto fora de contexto e uma fonte decorativa que virou caracteres quebrados quando o recrutador abriu no celular.

O veredito: "Detalhe de formato conta tanto quanto conteúdo. Se eu não consigo ler, eu descarto."

O ajuste: PDF com nome limpo, e-mail institucional ou profissional, fonte padrão e teste de leitura no celular antes de enviar.

Caso 4: o currículo sem destino do Diego, engenharia mecânica

O problema: Diego enviou o mesmo arquivo para todas as vagas que encontrou, sem citar nada relacionado à vaga.

O veredito: "Quando o candidato não diz por que aquela empresa, parece envio em massa."

O ajuste: adaptar o título e as três primeiras linhas para cada processo. Mencionar interesse em manufatura avançada ou automação, por exemplo, mostra que ele entende onde está se candidatando.

Caso 5: a invisibilidade da Elaine, sistemas de informação

O problema: Elaine tinha participado de hackathon, era membro de centro acadêmico e mantinha um projeto open source — mas nada disso estava no currículo.

O veredito: "Atividades fora da sala de aula são ouro para estágio. É onde a gente enxerga proatividade."

O ajuste: uma seção "Atividades e projetos" com datas e papel exercido em cada iniciativa.

Caso 6: o exagero do Felipe, engenharia de produção

O problema: Felipe listou "inglês fluente" sem nunca ter estudado fora do colégio e inflou competências como "Excel avançado".

O veredito: "Na entrevista de inglês cai na hora. E exagero em ferramenta básica queima um filme que era bom."

O ajuste: honestidade calibrada: "inglês intermediário (leitura técnica)" abre mais portas do que mentira descoberta.

O modelo que serve para as três áreas

Dos seis casos, sai uma estrutura que os recrutadores aprovam:

  1. Cabeçalho enxuto: nome, telefone, e-mail, cidade, LinkedIn e portfólio/GitHub.
  2. Linha de objetivo com contexto: curso, período e área de interesse alinhada à vaga.
  3. Projetos antes de experiência: no estágio, o que você construiu pesa mais do que onde trabalhou.
  4. Formação com dados previsíveis: instituição, curso, previsão de formatura.
  5. Atividades extras: monitoria, iniciação científica, empresa júnior, comunidade tech.
  6. Idiomas e ferramentas sem inflar: o que você consegue sustentar numa entrevista.

Uma página, PDF, leitura testada no celular. Parece básico, mas os recrutadores dizem que a maioria dos descartes acontece por motivos que caberiam nessa lista. Antes de enviar para o próximo processo, vale imprimir o seu e ler como se você fosse quem triagem: em 40 segundos, ficaria com vontade de saber mais?

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